sábado, 27 de outubro de 2007

O brilho nos olhos remontava algum tom entre Tarantino e Rodriguez.
Eram essas as melhores horas da vida. Sentia-se na iminência do tiro certeiro. E o sangue escorreria sem rumo no próximo frame.
Corta pra cena seguinte.
E lá vai ele, vento nos cabelos, voltando pra vida a bordo de um conversível veloz.
É, ele até sentia o cheiro da violência sanguinolenta e impune.
Mas eis que surge o alarme. Para falar a verdade, demorou.
Acontece que as melhores horas da vida dele sempre culminavam no despertar.
Os olhos voltavam baços e era tudo seguro, sereno e novelístico outra vez.
A professora falava em psicologias. Dizia das idéias equivocadas dos textos dele, a mãe escondia entre as mãos o rosto.
Pronto, era mais uma daquelas manhãs gelatinosas de agosto. Sem sangue nem vento.
Todos naquela sala o achavam um neurótico, inclusive ele mesmo.
Mas agora ele era um neurótico cansado.
Levantou-se já dizendo: “Nathanael West tinha no dedo um espinho que não incomodava quase nunca, só quando ele escrevia. Quase ninguém lia seus livros, até que veio o cinema”.
Ainda dizendo, andou até a porta, até o portão, até a rua e mais pra frente, e mais pra frente.

Estamos em fins de outubro e ele ainda não parou.

Não se sabe o que virá daqui pro futuro.

3 comentários:

Flávio A disse...

a falta de chuvas deve ser culpa dele. certo?

dias gelatinosos de agosto. isso tem gosto e cheiro de sangue quando escorre pelo nariz de madrugada e seca no rosto.

Maria disse...

"o tempo não pára e no entanto ele nunca envelhece"

seria o personagem da saga?
o tal tão sagaz?

seria o rolex?

pit disse...

maria, cê em confunde demais, filha!


p.s.: porque nunca mais choveu?!