domingo, 11 de novembro de 2007

Como chegar a Oz de elevador

Querido caderno, (diário é coisa de menina)

Em casa éramos três: eu, mamãe e vovô. Quando mamãe ia à missa, sempre às 19h de domingo, vovô assistia a DVDs de heavy metal em volume altíssimo porque era meio surdo, e eu ia jogar aviões de papel pelas escadas do prédio. Só que, uma vez, eu deixei um dos aviões entrar por baixo da porta do elevador. Foi um momento assustador, de grande tensão. Chamei o elevador, porque na minha mente debilitada de criança isso resolveria tudo. Quando a porta se abriu, invadindo o andar com a luz hospitalar do elevador, apareceu um homem feito de lata, o Homem de Lata. Tinha, nas mãos, um regador de plástico. Achei, de relance, que fosse meu aviãozinho, mas nem. Deixei-me seduzir por sua bondade, adentrei a cabine balouçante do elevador e, antes que eu percebesse, o Homem de Lata apertou o botão Terra de Oz. Em vez de botões numéricos, os botões do painel agora diziam lugares incríveis, como Fábrica de Chocolate, Terra de Oz, País das Maravilhas, Terra Média, Bairro do Limoeiro e Mundos de Crestomanci. Fiquei meio chateado por não ter sido levado aos Mundos de Crestomanci, mas a Terra de Oz parecia quase tão incrivelmente fascinante. Quando o elevador finalmente chegou, depois de um solavanco enorme que matou a Bruxa Boa do Sul (bem feito), dois guardas me incumbiram da tarefa horrível de aniquilar o Grande Donut. O Grande Donut é uma criatura fantástica que engole outros Donuts menores, porque ele não é feito de farinha integral.

No meio de minha jornada rumo à aniquilação do Grande Donut, que é uma peregrinação árdua e dolorosa, encontrei este caderno, em que deixo as impressões iniciais de minha viagem. Mãe, desculpe, eu deveria ter ido à missa. Vovô, espero que continue gostando de heavy metal. Quando acharem as páginas deste caderno, por favor, publiquem em algum mass media.

Carinhosamente.

3 comentários:

pit disse...

bairro do limoeiro!

AnaRita disse...

Confuso, não sei. E porque ser criança é ser debilitado?

Flávio A disse...

não sei, foi totalmente inconsciente. talvez porque ser criança é ser inventivo e inocente, aí, vendo de fora, parece debilitado. parece.
u.u
(?)