quarta-feira, 30 de abril de 2008

Fragmentos de gente besta

ela tomava goles de luz nas horas tristes
a luz é a coisa mais úmida que alma toca
que nem chá de camomila no domingo
só que com gosto

...

Um dia apanhou um punhado de carícias
e meteu numa sacola

ficou rondando a noite toda

as horas ficaram tremendo de frio
e sentou numa ponta de calçada

como era difícil naqueles tempos
engolir o vazio

...

o menino calou o cachorro
capou o gato
e podou o pássaro

no outro dia falou para ela:
toma, o som, a carne e o voar.

a menina confusa saiu correndo

ele passou a mão melada de sangue na cara
suspensão na certa

...

ela caminhou e largou o lenço na sacada
achava bonito a seda voando até a grama molhada
olhou lá longe e sentiu uma coisa pulsando no peito
naquele hora ou ela pulava da janela
ou o mundo explodia por dentro

[esse post é da Ana Rita. Eu só servi de intermediário entre conexões.]

2 comentários:

Lara disse...

Realmente, às vezes é difícil engolir o vazio. Acho que a entendo.

AnaRita disse...

ele sempre engancha no meio da garganta e para tirar é pior que caroço de azeitona