quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Diários de motocicleta


Querido diário,

Hoje dois homens vieram abusar de mim em praças públicas. O primeiro deles chegou e passou a mão no meu traseiro, e depois foi olhar minhas rodas. Chegou o outro, e os dois ficaram me alisando com aquelas mãos sujas, tecendo comentários indecorosos com uma voz que me deu asco. O pior de tudo (não... acho que não o pior, mas o quase pior) foi uma mulher que, a poucos metros de distância, assistiu a tudo e não fez nada. Veio um menino com uma câmera fotográfica e capturou o momento, mas não tive acesso à foto e hoje ela deve estar perdida por aí. Enfim, como eu ia dizendo, a mulher olhou para o garoto da câmera e franziu o cenho, acreditando que ele ia tirar foto dela. Ledo engano. É claro que ele tirou foto minha, devia ser da polícia ou algo assim, de exímia importância. Depois, para minha revolta, o menino virou as costas e simplesmente se foi. A mulher continuava inerte. Como não foi capaz de perceber o estupro que acontecia bem à sua frente? Muito burra. Enfiaram a mão dentro do meu tanque, verificaram meu óleo (ultraje!) e alisaram meus faróis. Foram embora depois de algum tempo, mas eu não consegui me mover durante bons minutos, devido ao grande rubor que senti. Foi só ao cair da noite, quando a rua estava sozinha novamente, que voltei para casa, engolindo o choro. Não suporto, diário, essa indecência que percorre
o mundo.

A motocicleta.


3 comentários:

lara disse...

criativo demais esse menino.

yuri disse...

Você me enrolou, Flávio.

pedro disse...

lendo o comentario fui induzido.

Você me enrolou, Flávio. (2)