quinta-feira, 15 de novembro de 2007

ali

Na parede
Minha alma nua na sua carne crua
Sua alma crua na minha carne nua.

Nuances de bege e vermelho
Então
Ela disse: pensa nisso
Não é nada de mais
A outra respondeu: melhor se não pensasse.
As cores são bonitas, mas o fogo queima.
A primeira: ninguém nunca viu as cinzas
E a outra: “ainãofalaissoporfavor”

Depois
Deram-se as costas
Uma apoiando-se na outra, como sempre

Mais ainda
Elas nem sabiam direito o que era aquilo ou como funcionava
Nenhuma das duas.
A Primeira queria descobrir tentando que cair no asfalto esfola os joelhos. A Outra já chorava o ardor do Mertiolate sem jamais ter visto um frasco.
Estavam as duas no meio da travessia
Cruzada incerta, porque ir pra lá ou pra cá gastaria a mesma quantidade de kilojoules.

E
E era um caso de idas e vindas, um segura na mão e solta, um chororô das duas em cima da bendita ponte que dizque O Grito foi de uma delas, não se sabe ao certo se d’A Primeira ou d’A Outra
Qualquer um que visse logo dizia, alguns aos berros:
Vai logo!
ou Volta!

Acaba de uma vez com isso!

Mas elas sabem que uma vez é pouco e que para quem está em cima da ponte, sobretudo no meio, esse assunto é serio e delicado demais.

Por fim
Há pessoas que nunca saem de lá.

2 comentários:

Flávio A disse...

hahahahhaah, gostei desse final!

lara disse...

há pessoas que nunca saem de lá mesmo, o que é lamentável.