quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Uma Personagem.

Tinha que pintar a cara de clichês, era inevitável. Devia também, toda vez que saísse, adornar o colo com belas e reluzentes frases feitas. Era da sua natureza dela. Desde criança seu sonho era compactuar e desde criança, de verdade, ela não consegue, mas disfarça bem. Sempre faz o tipo certo. Ou o mais certo possível.
A dama.
E não há quem possa negar que seja uma figura vistosa. Desde cedo sabe que não vale a pena chorar e está determinada a não fazê-lo pela vida adiante.
Só com lágrimas em silêncio. A mãe dizia sempre. Só com lágrimas regurgitadas. É assim que se devem tratar os choros.
Engolir seco.
Ruminar
Correr pro escuro e cuspir tudo de volta. Pelos olhos vermelhos.
Depois

Ruge
Batom
Outro sorriso, agora ainda mais perolado.

Acho que dessa vez abocanha um romance.


Quanto a você, não espere.
Não tem cataclismo nenhum, não tem epifania e eu não sou Clarice nem nada. A pequena personagem pára aqui, não há sequer uma lição de moral e ela não deixou telefone para contato.

8 comentários:

Morganna disse...

bonita a dama. mesmo cê não sendo nem clarice nem nada.

AnaRita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AnaRita disse...

Ano novo e daí eu resolvi fazer diferente. Depois de longas conversas de bar, cheguei a conclusão que quero isso mesmo: criticar e ser criticada até o ego pedir arrego (e ai dele se pedir!). Pois é não sou escritora, não sou crítica literária, sei medianamente o português e acho que só.
Daqui pra frente fica escrito, assim regitrado em registro que pode ser apagado a qualquer momento, eu falo enquanto leitora de ferida aberta para cutucarem.
Fico pensando o que quero cá com esse blog e a idéia é aprender a palavra. E a palavra exige carícias e ternuras que eu não enxergo e tento ver no outro, discutir com o outro, seja lá quem for essa tal de outro. Então falemos!

Ufa, agora de brônquios mais limpos, vamos:
Pit, gostei muito do seu texto manteve uma linha só, numa subjetividade com menos excessos. Teve uma frase que ficou pra mim confusa "Era de sua natureza dela"... Gostei das lágrimas regurgitadas, já te falei que adoro essas suas imagens? Ainda tenho birras com o primeiro parágrafo e o último tá um belo desfecho. Você escreve muitas vezes em torno desse tema de manter ou não o esteriótipo, o que te atrai tanto nele? (pergunta de curioso, não de crítico)

Ps: Estou em busca da síntese, prometo!

pit disse...

vejo que esses bares servem pra alguma coisa, afinal.

bueno, "Era de sua natureza dela"

era como se estruturavam as frases que tivessem o pronome "seu" ou suas variações. diz que para evitar ambigüidade, depois hove uma reforma e acharam que era desnecessário. repare que tem muito disso em machado de assis. coloquei dessa forma porque, além de me interessar bastante a expressão, acho que remonta um tradicionalismo, algo clássico, não sei.
soa como algum papo no canto de um salão da corte.
não te parece?

AnaRita disse...

Obrigada pelo esclarecimento, tudo clariou madame, e já consigo enxergar as paredes do salão.

Mas ainda não consigo postar...

pit disse...

oxente.
quanto a isso, I just don't know what to do, seu nome ainda está lá, como os outros.
querendo, manda que eu posto pra você

yuri disse...

Lei Nove Mil Quatrocentos e trinta da constituição do Cacoração:
Parágrafo único;

- É terminamente proibido o incesto textual. Cada qual deverá apenas ser postado pelo seu dono. Verifica-se essa necessidade devido à inquietante mania de terceiros trocarem uma únicazinha virgulazinha do texto original. Assim, rompendo totalmente o sentido estético daquele texto, o dono briga com o postador e acaba-se o blog.

yuri disse...

adorei a ATITUDE, dona Rita.